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Home » Notícias » Previsões sobre o futuro do Linux: quem está certo e quem está errado?

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Notícia

Previsões sobre o futuro do Linux: quem está certo e quem está errado?

Publicado em 15/05/2008 às 19:44

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site da ZDnet australiana.

Quem previu que os servidores Linux superariam em número os servidores Windows até 2006? Quem disse que um a cada cinco desktops corporativos poderia estar com Linux até 2008? Seguem abaixo algumas boas (e más) predições feitas sobre o Linux para esta década.

A Forrester Research apresentou suas análises, que mostravam as possibilidades da adesão a sistemas de Código Aberto no mercado de TI internacional. Particularmente, as análises falavam sobre a capacidade do Código Aberto em unificar o mercado altamente fragmentado do Unix em torno de uma plataforma única e consistente. As incompatibilidades persistentes entre os diversos sabores de Unix disponíveis, garantiriam ao Linux se firmar como alternativa de incursão no mercado de TI, dada a sua alta consistência e a disponibilidade de código fonte.

Olhando para as previsões realizadas por essas análises no ano 2000, a Forrester Research identificou um mercado de revendas de servidores com um potencial de faturamento anual de US$ 1.5 bilhão. Esse mercado cresceu para US$ 2.5 bilhões em 2002 e US$ 15 bilhões em 2007. Em 2002, o Giga Information Group — adquirido pela Forrester Research em 2003 — liberou um relatório intitulado Linux has gone mainstream: are you up to it? e predisse que o Linux superaria o Windows® em números, assumindo a liderança como sistema operacional para novos servidores em 2006.

Uma pesquisa de 2003 levou a Forrester a concluir que sua previsão estava correta: 72% dos consultados tinham intenção de utilizar mais sistemas Linux em 2004. Na mesma pesquisa, apenas 46% dos clientes mantiveram seus sistemas proprietários devido ao suporte empresarial — um conceito que acabou enfraquecendo devido ao suporte que passou a ser oferecido ao Linux por empresas como HP e IBM.

À época, Ted Schadler, analista da Forrester, foi bastante incisivo em sua declaração de que "o Unix proprietário é uma pedra fria e morta", alertando que "os fabricantes de software independente irão se lamentar de não ter se aproximado mais rapidamente do Linux".

Nesta década, o sucesso do Linux forçou um movimento de análise e avaliação do sistema dentro de empresas de todos os tipos, da mesma forma que ocorreu com a preocupação em torno da ecologia em empresas de outros segmentos na década de 1970, que levou muitas companhias a desenvolver iniciativas de responsabilidade ambiental. O movimento criado por esse aumento de utilização de Software Livre e de Código Aberto foi, assim, muito significante, sendo mesmo responsável por "estimular" a Microsoft a criar iniciativas de interoperabilidade, como o seu recente formato de documentos OOXML — aprovado recentemente como padrão de documento pela ISO.

Essa tendência pode ser denomidada como "renovação de código" e pode ser exemplificada com o movimento do Java na direção do Código Aberto, o ambiente de desenvolvimento integrado e de Código Aberto Eclipse da IBM e as decisões da Computer Associates. Essas e outras "renovações" garantiram fôlego para o banco de dados Ingres, após a liberação de seu código-fonte para o mundo em uma versão aberta.

Outras ferramentas, como o servidor de aplicativos JBoss ou o banco de dados MySQL, foram grandes pilares que ajudaram o mercado a eliminar de forma efetiva a demanda de ferramentas proprietárias em muitas das categorias de software presentes no mercado.

Não existe distância entre a aceitação ideológica e a atual adoção do desktop de Código Aberto. Alguns líderes da esfera do Código Aberto, entretanto, têm falhado em suas previsões, particularmente em categorias de aplicativos nas quais grandes companhias têm despejado rios de dólares em desenvolvimento, como as áreas de BI (Business Intelligence) e na gerência de relacionamento com o cliente (CRM – Customer Relationship Management).

Em 2003, a Forrester publicou um relatório intitulado "Plataformas de colaboração de código aberto: espere mais cinco anos". Mas agora, cinco anos depois, o mercado colaborativo ainda está dominado pela combinação SharePoint Server, da Microsoft, e Lotus/Domino, da IBM. Produtos de Código Aberto voltados para Web 2.0, como os servidores Wiki, certamente ganham em popularidade – mas seu efeito &lquote;do lado de fora do firewall&rquote; é muito maior que dentro.

A pesquisa que a Forrester realizou em 2005, sobre os responsáveis pelas tomadas de decisões em TI na Austrália e Nova Zelândia, mostraram que os negócios locais relacionados ao Código Aberto estão atrasando a parte norte americana no quesito entusiasmo.

Essa pesquisa mostrou que apenas 18% das empresas utilizam Linux em produção, e 82% delas ainda não tinham planos em adotar aplicativos de Código Aberto como o Sugar CRM, o sistema de gerenciamento de projeto Open Workbench, ou mesmo o banco de dados PostgreSQL. Ainda no relatório, apenas 10% estão utilizando, ou planejando utilizar software de Código Aberto em desktops, comparados aos 26% na região Ásia-Pacífico.

Após 15 anos de seu surgimento, o Linux tem sido bem sucedido em alterar o referencial dos produtores de software mundiais. Mas seria esse o fim da Microsoft? Dificilmente. No meio de toda essa aceitação ideológica e da clara adoção no desktop, o Linux tem falhado em sua missão de suplantar a dominância Windows-Office.

Estamos em 2008 e o Windows continua sendo o sistema operacional dominante. Se nada for feito, é bem provável que o Mac OS X suplante o Linux como nova alternativa para desktops. O Linux está lá fora, bastante presente, mas de forma errática. Temos ele presente no popular EeePC, o popular UMPC da ASUS, e ele também foi escolhido para equipar PCs de baixo custo da IBM para o mercado do leste europeu. Mas no resto está o Windows.

Ao promover uma cultura de transparência e ao forçar os fabricantes de software independentes e provedores de serviços a dar mais valor a esse mercado, o Código Aberto pode se tornar uma enorme indústria capaz de alterar o atual estado.

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