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Análise do novo Ubuntu 9.04


Por Rafael Peregrino da Silva
Publicado em 27/04/2009

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Por Kristian Kißling e Rafael Peregrino da Silva



Pontualmente na data de lançamento programada — que acontece em um ciclo de seis meses — foi lançada a nova versão do Ubuntu, a 9.04, codinome Jaunty Jackalope. Devagar — mas sempre —, a distribuição patrocinada pela Canonical avança em usabilidade, desempenho e beleza. Este artigo traz uma análise do novo Ubuntu, apresentando as maiores novidades da versão 9.04.



O novo animal da família Ubuntu — todas as versões recebem um codinome contendo um nome de animal, precedido por um adjetivo de mesma inicial: Warty Warthog, Hoary Hedgehog, Breezy Badger, Dapper Drake, Edgy Eft, Fausty Fawn, Gutsy Gibbon, Hardy Heron, Intrepid Ibex e a atual, Jaunty Jackalope — conta com uma série de inovações visíveis e muitas invisíveis. A primeira delas é o “polimento” que a interface gráfica recebeu, apesar de ter mantido a mesma linha de sempre. Esse cuidado com a interface segue a estratégia lançada pelo próprio Mark Shuttleworth em 2008, por ocasião da OSCON de elevar o design da interface gráfica ao patamar de uma obra de arte, ultrapassando o visual e a usabilidade do Mac OS X, da Apple. Sem dúvida, trata-se de uma meta ousada, ainda que muito válida e necessária, que começa a gerar os primeiros frutos, como se pode ver a partir da tela de inicialização do sistema (bootsplash) e da tela de login, que, na versão tradicional, leva a um desktop GNOME após o fornecimento do nome do usuário e da senha.












Nos próximos dois anos a interface gráfica do Ubuntu deverá ser elevada ao patamar de “obra de arte”, conforme declarações de Mark Shuttleworth de julho de 2008. A tela de login do GDM indicada acima mostra os primeiros sinais dessa estratégia.




Instalação


Banner Pockets Ubuntu

A instalação da nova versão não poderia ser mais simples: após baixar o CD do Ubuntu, inicializamos o computador por meio dele, como de costume. O ambiente de trabalho que aparece é totalmente funcional e permite que testemos o sistema sem tocar no disco rígido do computador. Para instalar, basta clicar no ícone “Instalar o sistema no computador” para, caso aceitemos todas as sugestões do instalador, em seis passos e em menos de meia hora, termos o “cornoelho garboso” (significado literal de Jaunty Jackalope, em uma tradução livre) “saltitando” na nossa frente, sem a necessidade do CD. É interessante notar que o instalador indicará sete passos para realizar a instalação, mas caso não modifiquemos nenhuma de suas sugestões e utilizemos o disco todo do computador, o sexto passo será pulado. As informações solicitadas pelo instalador são, basicamente, de idioma, localidade, layout de teclado, espaço em disco a ser utilizado, dados do usuário e nome escolhido para o computador (estas duas últimas informações em uma mesma tela).



Novidades visíveis



Em seu blog, Mark Shuttleworth chama a atenção em especial para a integração do novo sistema de notificações do ambiente de trabalho. Modificações de volume, a chegada de um email novo, a conexão à rede (ou a quebra desta), atualizações de software: tudo isso é notificado pelo sistema em uma área retangular no canto superior direito da tela (abaixo do símbolo do controle de volume), de modo muito mais ostensivo que em versões anteriores do sistema.












A nova área de notificações no ambiente de trabalho do Ubuntu 9.04 é uma das novidades que mais chama a atenção na nova versão do sistema operacional. Todos os eventos relevantes para o usuário são notificados ali.




Infelizmente, com a chegada da nova área de notificações, o ícone que indicava a presença de atualizações desapareceu. Agora o gerenciador de atualizações é acionado automaticamente se houver atualizações não instaladas no sistema por mais de uma semana. Atualizações de segurança são informadas na nova área de notificações a cada 24 horas — infelizmente apenas uma vez a cada atualização desse tipo. Para quem não estiver satisfeito com isso, o comando seguinte restabelece o comportamento tradicional:



gconftool -s --type bool /apps/update-notifier/auto_launch false


O controle de volume no painel superior, que se ativa com um clique do mouse, passou a ter orientação horizontal. Além disso, as fontes do sistema estão mais bem ajustadas às diversas configurações de monitor, o que produz uma experiência de uso mais agradável do desktop. Caso as fontes apareçam em tamanho exagerado ou ilegível, significa que o monitor está informando suas próprias dimensões erroneamente ao sistema. Informações sobre como corrigir esse tipo de problema — mais comum no KDE que no GNOME — podem ser encontradas no wiki do projeto Ubuntu. O novo fundo de tela do ambiente de trabalho, mais simples e discreto, ficou mais agradável e bonito que o da versão anterior, mas ainda falta um pouco para chegarmos no nível do Mac OS X, como o próprio Mark Shuttleworth declarou em seu blogmas isso deve ocorrer até o final de 2010.












Ambiente de trabalho padrão do Ubuntu 9.04.




Alguns usuários reclamaram que certos recursos que funcionavam com a versão 8.10 do Ubuntu deixaram de funcionar com a atualização para a versão 9.04. Entre eles estariam, por exemplo, placas de redes sem fio modelo Broadcom 4318 e algumas placas de vídeo ATI (veja mais a seguir a respeito de possíveis problemas de vídeo). Em nossos testes, realizados num notebook cujo hardware era inteiramente da Intel, não houve qualquer tipo de problema.



Novidades invisíveis, mas sensíveis



Quem vê cara não vê coração, diz o ditado popular. No caso da nova versão do Ubuntu, é importante dizer que não foi só na “cara” que houve avanços: a maioria deles ocorreu “debaixo do capô”. No que tange a isso, vale dar uma olhada em primeiro lugar na versão do kernel usada no sistema, e que consiste não somente dos gerenciadores de dispositivos de hardware, mas do motor de todo o sistema, gerenciando memória e acesso a recursos e periféricos. É comum falarmos de Linux nos referindo realmente à distribuição GNU/Linux utilizada, quando na verdade o Linux é somente o núcleo (daí a definição de kernel) da distribuição, o sistema operacional propriamente dito, peça central de um todo muito maior, e que tem em Linus Torvalds um gerente de desenvolvimento cuidadoso, orquestrando o trabalho de centenas de contribuidores regulares.



Os desenvolvedores de distribuições GNU/Linux integram os aplicativos e o kernel, formando um pacote mais completo, que contém, como no caso do Ubuntu, que é derivado do Debian, mais de 25.000 programas prontos para instalar e usar, muitos dos quais disponíveis também para outras plataformas operacionais, como o Windows® e o Mac OS X. Assim, o sucesso do Ubuntu vem especialmente de uma integração inteligente do Debian, associada a uma pré-configuração muito bem feita e dotada de um repositório de aplicativos gigante, de um visual caprichado, de um instalador simples de usar, bem como de uma série de automatismos estratégicos e de algumas ferramentas de configuração de interface simples de entender e usar.



No caso do kernel, a equipe de desenvolvimento do Ubuntu foi conservadora e preferiu ficar com a versão 2.6.28, já que a adoção da versão 2.6.29 seria um tanto quanto ousada, dada a proximidade do seu lançamento com a data determinada para a liberação da versão que ora analisamos. No entanto, o kernel utilizado no Jaunty Jackalope não é o 2.6.28 originalmente disponibilizado por Linus Torvalds (o assim chamado Vanilla Kernel): há nele uma série de modificações, oriundas das necessidades de integração do Ubuntu. Mesmo assim, caso o usuário sinta falta de algum driver importante, indispensável para o funcionamento de alguma peça de hardware “exótica”, é possível instalar uma versão mais atual do kernel por meio de um repositório externo. Mas atenção: o uso de uma versão mais nova do kernel embute uma componente de risco considerável, de modo que não se deve descuidar de ferramentas de becape nesse caso (o que já é de boa conta, de qualquer modo).



O kernel 2.6.28 por si só já traz algumas novidades interessantes na bagagem, entre elas o suporte ao sistema de arquivos Ext4, que deve substituir o atual Ext3 a curto prazo. O Ext4 já aparece, inclusive, disponível como opção de sistema de arquivos durante o particionamento dos dispositivos de armazenamento durante a instalação do novo Ubuntu, entretanto não como padrão, como o projeto pretendia anteriormente. Isso porque, durante a fase de testes dessa versão do Ubuntu, houve uma série de discussões sobre a questão conceitual de qual é a hora certa para o sistema de arquivos armazenar efetivamente os dados em cache no disco rígido. Isso aconteceu, na prática, porque dependendo da configuração desse parâmetro poderia haver — como chegou efetivamente a ocorrer em alguns casos — perda de dados. Trata-se de uma questão envolvendo duas variáveis que raramente andam lado a lado: desempenho e segurança. Nesse ínterim, entretanto, os desenvolvedores do Ubuntu já integraram uma modificação no kernel da distribuição, que configura o Ext4 no modo seguro. No kernel original, essa modificação só estará disponível a partir da versão 2.6.30.



Entre as principais vantagens do Ext4 estão o desempenho, a quantidade de arquivos com os quais o sistema de arquivos pode lidar, além, claro, da retrocompatibilidade com o Ext3 e até com o Ext2. Ademais, um arquivo no Ext4 pode ocupar todo o espaço do sistema de arquivos, partições e volume podem crescer até 1 EB — o que corresponde a um milhão de TB!



Quem tiver instalado o Ubuntu 9.04 com o Ext3 como sistema de arquivos e quiser migrar para o Ext4, deve excepcionalmente reinstalar o gerenciador de inicialização (GRUB) usando o comando grub-install, para que ele reconheça o novo sistema de arquivos corretamente. Nunca é demais relembrar que versões do kernel anteriores à 2.6.28 serão incapazes de lidar com partições formatadas como Ext4.



Os drivers de áudio integrados ao novo kernel lidam com jack sensing, ou seja, reconhecem automaticamente quando microfones, fones de ouvido ou caixas de som são conectados ao sistema. Houve também melhorias sensíveis no modo como o Linux trabalha com DVB, webcams e diversos outros tipos de periféricos.



Algumas das modificações contidas no kernel 2.6.28, lançado no final de dezembro de 2008, passarão totalmente despercebidas pelo usuário do Ubuntu 9.04. Como exemplo, podemos citar um novo gerenciador de memória desenvolvido pela Intel, que deverá servir de base para uma arquitetura renovada para acesso aos recursos de vídeo do sistema. Um recurso para aceleração do procedimento de inicialização do sistema (fastboot patch), usada pelo desenvolvedor Arjan van de Ven para reduzir o tempo de boot de uma outra distribuição GNU/Linux para apenas cinco segundos, também está disponível no kernel do Ubuntu — em virtude de problemas de estabilidade e compatibilidade, por enquanto esse recurso vem desativado por padrão.



O “X” da questão



Como de costume, o sistema X Window do consórcio X.org permanece como fundamento para a produção da interface gráfica do Linux, o que não é diferente no caso do Ubuntu. O sistema permite que um cliente X acesse um servidor X, seja localmente ou pela rede, que então “desenha” as janelas e seus movimentos na tela, processa os movimentos do mouse e a digitação no teclado do cliente X e carrega os drivers corretos para manipulação da placa de vídeo. Algumas das configurações desse sistema são realizadas por meio do arquivo /etc/X11/xorg.conf.



O novo servidor X, na versão 1.6, utilizado pelo Ubuntu 9.04, resolve alguns problemas da versão anterior (a 1.5) e traz consigo a versão 1.3 do aplicativo XRandr, responsável pelo ajuste automático e dinâmico da resolução da tela. Além disso, a versão 1.6 do X.org faz uso de DRI (Direct Rendering Infrastructure), o que permite a aplicativos o acesso direto ao hardware de vídeo, o que acelera a representação de conteúdo em três dimensões. Graças à integração do recurso de Predictable Pointer Acceleration, a nova versão do Ubuntu é também capaz de representar o ponteiro do mouse com mais precisão.



Como já citamos acima, a nova versão do servidor X pode gerar alguns transtornos também. Caso o usuário deseje usar jogos que usem intensamente recursos 3D ou ativem os já populares efeitos visuais avançados no ambiente de trabalho (tais como janelas balançantes ou transparentes, entre outros), é necessário ativar a aceleração 3D, cujos recursos são normalmente fornecidos pelos drivers (geralmente proprietários e fechados) das respectivas placas de vídeo. Para a versão 1.6 do X.org, tanto a AMD/ATI quanto a NVIDIA, os dois maiores fabricantes de placas de vídeo, tiveram de realizar ajustes em seus drivers para Linux (fglrx e nvidia), o que ainda não está totalmente finalizado. Por um lado, no caso de placas de vídeo mais modernas, ainda há uma série de problemas de visualização, e placas mais antigas, que funcionavam bem até então com versões mais antigas do X.org, só estão funcionando corretamente com os drivers de vídeo de código aberto, que não dispõem de suporte — ou dispõem apenas de suporte limitado — aos recursos 3D das placas de vídeo. Usuários de placas de vídeo Intel, por outro lado, não devem encontrar grandes problemas: apesar de os recursos de hardware serem muito menos poderosos para essas placas, o fato de elas serem de código aberto e gozarem de suporte integral da Intel, faz com que eles funcionem perfeitamente no novo Ubuntu.



Usuários tradicionais do Ubuntu deverão notar especialmente a opção Don't zap. Se antigamente era possível abandonar o ambiente de trabalho usando o atalho de teclado [Ctrl]+[Alt]+[Backspace], para voltar à tela do gerenciador de login e, daí, ao GNOME, a nova versão do X.org acabou com essa possibilidade. Alguns usuários provavelmente não vão gostar dessa limitação. É claro que o kernel Linux pode assumir essa tarefa, por meio do atalho [Alt]+[PrtScr]+[K], que reinicia computadores travados quase que sem exceção — o problema é lembrar desse tipo de atalho.



Para reativar o atalho anterior, precisamos editar o arquivo de configuração /etc/X11/xorg.conf, incluindo no final dele as seguintes linhas:




Section "ServerFlags"
Option "DontZap" "False"
EndSection


Após reiniciar o sistema, o atalho [Ctrl]+[Alt]+[Backspace] deverá voltar a funcionar como de costume.



Inicialização e áudio



A redução sensível no tempo de inicialização do Ubuntu 9.04 não se deve a nenhum programa novo, introduzido com esse propósito no sistema. O que houve foi realmente trabalho duro de desenvolvimento: os programadores do Ubuntu analisaram quem eram os “atrasadores” e “atravancadores” do processo de inicialização do sistema, usando-se para isso do Bootchart, removendo as fontes de atraso tanto quanto possível. Em especial a fase de reconhecimento automático do hardware consome tradicionalmente bastante tempo, comportamento que foi acelerado com o uso de paralelização do udev.



Além disso, o RAM drive de inicialização do Ubuntu 9.04 é 4 MB menor que o da versão 8.10, e contém um número menor de módulos e um aplicativo realmente muito menor para exibição da tela de inicialização (bootsplash), o que contribui decisivamente para uma grande economia de tempo.



Em nossos testes, o tempo de inicialização (até a tela de login) de um sistema Ubuntu 9.04 padrão foi reduzido em mais de 30%, em comparação com uma versão 8.10, instalada no mesmo hardware (um notebook dotado de um processador Intel® Pentium® Dual-Core, modelo T2310, 1,46 GHz, 1 GB de RAM e disco rígido SATA Western Digital Scorpio, modelo WD1200BEVS-0 de 120 GB e 5400 RPM). A inicialização do ambiente de trabalho após o login e o desligamento da máquina foram muito mais rápidos na nova versão da distribuição.



A tabela a seguir lista os tempos de inicialização e desligamento do sistema:


























Ubuntu 9.04 e 8.10: Comparativo de tempo de inicialização e desligamento no mesmo hardware
Versão do Ubuntu
Tempo consumido até a tela de login
Tempo consumido até o desligamento
Ubuntu 8.10 33 s 10 s
Ubuntu 9.04 23 s 7 s




O PulseAudio, novo servidor de som do Ubuntu Linux, permite que se confira um nível de volume diferente para cada um dos aplicativos em operação. No entanto, o sistema ainda não goza de uma boa reputação, no que tange à estabilidade. Ademais, é necessário instalar o pacote gnome-volume-control-pulse usando o APT ou o Synaptic. Após a reinicialização do sistema, vão haver dois ícones de controle de volume no painel padrão do GNOME, à direita, um deles com um controle horizontal e o outro (o recém-instalado) com um controle vertical. Para evitar confusão, é melhor remover o de controle horizontal (adeus melhoria de interface...). O pior é que a duplicação também ocorre no menu Sistema | Preferências, que ganha dois itens de mesmo nome (Som). Clicando-se com o botão direito do mouse sobre o ícone que restou, basta escolher o item “Preferência de som” no menu de contexto que aparecer, para abrir a janela de configuração do PulseAudio. Na aba “Aplicativos” é possível alterar isoladamente o volume dos aplicativos que estiverem em operação, conforme mostra a figura a seguir:












Graças ao PulseAudio, é possível ajustar o volume de cada aplicativo separadamente. Entretanto, o software ainda não goza de uma boa reputação no que tange ao quesito estabilidade.




Originalmente também estava planejado permitir aos usuários a criação de diretórios ou pastas criptografadas. Essa possibilidade já era, inclusive, contemplada em versões iniciais do Ubuntu 9.04, mas não em sua versão final, em razão de um sem-número de questões e problemas envolvendo esse recurso, que acabou por ser transferido para o plano de desenvolvimento da próxima versão da distribuição.



Aplicativos



Mesmo que as maiores novidades do sistema estejam onde o usuário não pode ver, as novas versões dos aplicativos da distribuição representam no fim das contas aquilo que é perceptível como “evolução” para todos. No caso do Ubuntu 9.04, muitos dos novos programas são diretamente ligados ao GNOME: a distribuição traz o ambiente de trabalho na versão 2.26, na qual existem algumas modificações em relação a versões anteriores. Entre elas está a adoção do Brasero como aplicativo oficial para gravar CDs e DVDs do Ubuntu — o aplicativo normatiza o nível de volume das trilhas de áudio de um CD antes de gravar, oferece suporte a gravação em modo multissessão e a verificação de integridade de dados. Até então, o projeto GNOME suportava oficialmente apenas uma extensão para o Nautilus para finalidades de gravação de CD/DVD, o que não se compara com a “concorrência” do K3b, do projeto KDE, atualmente considerado o principal aplicativo para gravação de CD/DVD do Linux.



Como aplicativos padrão do ambiente de trabalho do Ubuntu podemos contar o conjunto de programas para escritório OpenOffice.org, no Ubuntu 9.04 disponível na versão 3.0.1. O OpenOffice.org 3 foi lançado há um tempo razoável, muito tarde, entretanto, para ser admitido na versão 8.10 do Ubuntu. Essa versão é capaz de importar arquivos em formato PDF, que podem ser editados, ainda que de forma limitada. Os desenvolvedores do OpenOffice.org dão muita ênfase à possibilidade de aumentar os recursos da nova versão do software por meio de extensões, semelhantes aos add-ons do navegador Firefox, que podem ser baixados e “agregados” ao OpenOffice.org, enriquecendo o programa com novos recursos. Graças ao suporte melhorado ao formato OOXML — o formato XML criado pela Microsoft para os arquivos do Microsoft Office —, ficou simples importar esse tipo de documento no OpenOffice.org, que ainda “engripa” durante a importação de documentos muito complexos armazenados nesse formato.



A nova versão do Ubuntu lida melhor com monitores adicionais. Isso deve alegrar os usuários que precisam trabalhar com mais de um monitor, o que se tornou um padrão em parques de editoração gráfica — e onde o Mac OS X ainda reina, absoluto.



Uma novidade é o “Mantenedor do Sistema”, uma aplicativo que tem por função descartar arquivos e pacotes que não estejam mais sendo utilizados pelo sistema. Isso faz sentido, já que, via de regra, quando se instala um pacote com diversas dependências, se esse pacote for desinstalado posteriormente, as dependências permanecem instaladas no sistema desnecessariamente. O Mantenedor do Sistema registra esse “lixo” e o descarta. Aviso aos navegantes: durante o desenvolvimento do Jaunty Jackalope, foram vários os casos em que o Mantenedor do Sistema descartou aplicativos que o usuário havia instalado “à mão”, de modo que o uso do mantenedor deve ser feito com moderação.












O “Mantenedor do Sistema” tem por função encontrar e descartar aplicativos e bibliotecas que não são mais necessários no sistema, mas ainda peca pelo excesso de vez em quando.




O Ekiga 3.0 é o aplicativo de (vídeo)telefonia via Internet instalado por padrão no Jaunty, que não é compatível com o Skype, mas usa o protocolo SIP, padrão de-facto para telefonia IP. Assim, se o leitor usar por exemplo um provedor VoIP como o VONO, da GVT, que faz uso extensivo de tecnologia Asterisk, o Ekiga vai servir muito bem. O aplicativo também é muito bom caso se deseje falar com outros usuários de Linux. Sua interface foi refeita do zero e a qualidade de transmissão de vídeo, melhorada. Ao ser chamado, o programa procura automaticamente por portas abertas na rede que possam ser utilizadas para a comunicação IP. Caso isso não seja possível, ele sugere a configuração manual de port forwarding. Uma conta SIP pode ser facilmente criada durante a configuração inicial do software de telefonia IP.



Para uma comunicação via mensagem instantânea, o usuário pode usar o Pidgin. Com ele é possível trocar mensagens instantaneamente com usuários em qualquer tipo de rede: AIM, Google Talk, ICQ, MSN, IRC, Yahoo... a lista é quase interminável. Entretanto, o Pidgin pode não oferecer suporte para a comunicação via vídeo de alguns desse protocolos, de modo que a comunicação em geral se resume apenas a mensagens de texto.



A tabela a seguir lista alguns dos principais aplicativos instalados por padrão no sistema, bem como suas respectivas versões:






















































































Ubuntu 9.04 — Jaunty Jackalope: principais aplicativos e suas versões
Aplicativo
Versão
Função
Kernel 2.6.28 É o Linux propriamente dito
X.org 7.4 Gerenciador de janelas
GNOME 2.26 Ambiente de trabalho
OpenOffice.org 3.0.1 Conjunto de aplicativos para escritório
Firefox 3.0.9 Navegador de Internet
Pidgin 2.5.5 Aplicativo para troca instantânea de mensagens
Evolution 2.26.1 Correio eletrônico, gerenciador de tarefas, calendário e gerenciador de contatos
Gimp 2.6.6 Editor de imagens
F-Spot 0.5.0.3 Gerenciador de fotos
Rhythmbox 0.12.0 Reprodutor e gerenciador de músicas
Totem 2.26.1 Reprodutor de filmes
Ekiga 3.2.0 Cliente VoIP
Trasmission 1.51 Cliente de rede P2P BitTorrent
Brasero 2.26.0 Aplicativo de gravação de CD/DVD




Instalação de aplicativos



No que se refere à instalação de aplicativos, há uma série de avanços na versão 9.04 do Ubuntu. Em primeiro lugar, a instalação de plug-ins para o Firefox ficou mais inteligente: como na versão 8.10, a instalação do plug-in para conteúdos em Flash não baixou simplesmente as bibliotecas necessárias do site da Adobe. O sistema foi inteligente o suficiente para encontrar o pacote no repositório da distribuição e para instalá-lo simplesmente via gerenciador de pacotes. Ponto para a Canonical e para a comunidade Ubuntu, por resolver isso de maneira inteligente. Desta forma, se o sistema for utilizado por muitos usuários, essa instalação ocorrerá apenas uma vez, ao contrário do que acontecia em versões anteriores, nas quais cada usuário acabaria por instalar uma versão diferente do flash-player em sua própria pasta pessoal. Haja redundância e problemas de segurança para resolver... De qualquer modo, acreditamos que a Canonical já tenha ganhado importância e massa crítica o suficiente para firmar uma parceria com a Adobe e fornecer esse e outros aplicativos da empresa pré-instalados por padrão.



Também nos surpreendeu o fato de que, ao tentarmos assistir a um dos trailers dos filmes disponíveis no site da Apple, que o plug-in do Totem tenha reconhecido a inexistência de um decodificador de vídeo adequado para a reprodução de vídeos no formato QuickTime. E, para melhorar, o sistema não parou por aí: efetuou na sequência uma chamada ao aplicativo gdebi, forneceu o nome dos pacotes que precisavam ser instalados e, após o usuário escolhê-los, efetuou a instalação de modo totalmente descomplicado. É isso que o usuário comum quer. Se mantida essa trajetória, realmente não haverá mais grandes empecilhos para instalar programas no Ubuntu — um dos maiores problemas para o usuário comum.



Mas nem tudo são rosas, infelizmente: a instalação do Adobe Reader se mostrou complicada, requerendo a ativação de um canal de software “de terceiros”. A instalação de aplicativos baixados da Internet ainda deixa a desejar: se o pacote baixado for do tipo .deb, o gdebi o abre, mas antes de instalá-lo, verifica se o software em questão não está disponível no repositório da distribuição. Se esse for o caso, o gdebi indica a presença do software no repositório e recomenda que ele seja instalado de lá, mas não oferece nada mais além do botão de Fechar. Faltou andar aquela “milha extra” que faz toda a diferença para o usuário comum: custava abrir o Synaptic com o aplicativo que se deseja instalar já marcado para instalação e, simplesmente, resolver o problema? Isso já é feito no caso do Flash Player. Não há nada de novo a ser feito nesse sentido.



O mesmo vale para pacotes nos formatos .rpm, .tgz e — por que não? — até mesmo para executáveis do Windows®: o usuário que migra da plataforma da Microsoft vai simplesmente por uma questão de hábito procurar o aplicativo desejado na Internet, provavelmente no site do Superdownloads. O gdebi poderia ser estendido para, qualquer que seja o formato de arquivo que se deseja instalar, buscar pelo aplicativo no repositório da distribuição e para instalá-lo de lá. Com isso, o usuário aprenderia didaticamente que só raramente é necessário buscar por aplicativo fora do repositório da distribuição, algo que ele certamente acharia extraordinário e que contribuiria decisivamente para uma adoção mais ampla do Ubuntu — e do Linux em geral, se as outras distribuições adotarem um esquema semelhante ao que sugerimos aqui. Tal funcionalidade está a poucas linhas de código em Python no gdebi e a alguns ajustes em MIME-types do Firefox.



Conclusão



Em sua essência, o Ubuntu 9.04 não traz nenhuma mudança radical em relação às versões anteriores, mas muitas melhorias. Ao lado das alterações de interface gráfica, provavelmente o suporte ao Ext 4 deverá agradar a muitos usuários. No que tange ao suporte a hardware do X.org 1.6, entretanto, não se pode falar em evolução: no melhor dos casos, o usuário pode não ter qualquer problema (geralmente se usar placa de vídeo da Intel), mas caso use placas de vídeo mais “parrudas”, pode ser que a aceleração 3D, que funcionava no Ubuntu 8.10, simplesmente pare de funcionar. Por conta disso, antes de uma atualização para a nova versão, vale a pena verificar a situação do suporte ao hardware da placa de vídeo — de repente, é possível usar um driver mais antigo e que funcione. Como pontos altos do Jaunty Jackalope pode-se citar a redução do tempo de boot e a melhoria na aparência do sistema. Os avanços na instalação de programas e extensões também é digno de menção, muito embora esses avanços ainda tenham ficado a meio caminho da perfeição — que não está longe de atingir, no entanto. Nada que uma semana de trabalho consequente não resolva e que já poderia estar disponível na versão 9.10.













Ubuntu 9.04 “Jaunty Jackalope” — Galeria de capturas de tela (17 figuras)





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