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Reflexões de um Cachorro Louco
É meu dever!
Publicado em 07/10/2010 às 14:47
Em uma recente viagem à Gana, levei 137 camisetas que a O'Reilly and Hackerteen havia me dado para distribuição em conferências. Enfiei-as nas malas e as levei comigo no avião, não apenas para me certificar de que elas chegariam lá, mas também para evitar um alto custo de transporte.
Quando cheguei ao aeroporto, tive (naturalmente) que passar pela alfândega. Me perguntaram por que eu trazia tantas camisetas para o país. Eu iria vendê-las?
"Não", respondi, "elas foram dadas a mim para que eu as distribuísse em uma conferência, vou dá-las como presentes."
"Não existem presentes quando se trata de impostos", disseram.
"Bem, não sei o preço delas, já que eu não as comprei, não custaram nada para embarcar e não terei nenhum lucro com elas".
Então, chegamos a um acordo. Eu não fui para a cadeia, mas o funcionário da alfândega ficou com cinco camisetas para seus filhos (foi isso que me disseram). As camisetas restantes seguiram para a conferência, onde foram distribuídas a quem lá compareceu.
Alguns dias se passaram, quando fui informado de que os 500 CDs do Fedora que a Red Hat havia financiado tinha acabado de chegar aos Correios, mas não foram entregues para o evento porque cobravam um imposto de 225 dólares (americanos) sobre eles, e estavam esperando o pagamento antes de entregá-los.
Fui até os Correios e encontrei a funcionária de importação. "Os CDs são um presente da Red Hat para os participantes da conferência".
"Não existem presentes quando se trata de impostos”. Este mantra veio de uma funcionária de importações completamente diferente. "E o valor está marcado na etiqueta de transporte".
Óbviamente, a etiqueta de remessa mostrava o valor de 400 dólares nas quatro caixas de discos.
Eu disse à funcionária que, no meu país, eu poderia comprar uma caixa de discos como essa por 20 dólares, e que era impossível que quatro delas custassem 400 dólares. Assim, concordamos com o preço de 80 dólares, com um imposto de 37 dólares. Eu provavelmente poderia ter diminuído o preço, mas estava tão chocado com a quantia que estavam cobrando que já não conseguia raciocinar direito. Além disso, a funcionária já devia estar acostumada com as pessoas que "gritavam com ela", e não acho que teria aceitado 50 CDs como pagamento.
Isso lembrou meu tempo na Digital Equipment Corporation (DEC):
Em 1986, fui para a Holanda para ministrar um curso de uma semana sobre a (então) nova thin-net Ethernet e o Ultrix-32 (incluindo NFS e X-Windows).
Eu tinha 300 slides, cada um com um papel marcador para separá-los e protegê-los.
A maneira de se fazer slides naquele tempo era imprimir a imagem na impressora, em seguida, pegar um pedaço de plástico sensível à temperatura e enviá-lo através de uma máquina para imprimir os dados do papel para o plástico.
Liguei para o departamento de exportação da DEC e eles me disseram que o "custo" do slide era de 1,50 cada. Vezes 300 slides, o total era de US$ 450 (Em 1984).
Quando cheguei à Holanda (quase meia-noite do dia da viagem), descobri que apenas 100 dólares eram permitidos sem taxas, e que eu tinha que tirar da cama o responsável pela importação de equipamentos digitais (às 3 da manhã), e ele teria que vir ao aeroporto para passar meus slides pela alfândega.
Quando voltei para os Estados Unidos, chamei o departamento de exportação e perguntei por que um pedaço de papel impresso (custando 0,05 centavos de dólar) com um pedaço de plástico barato (no valor de 0,10 centavos de dólar) podia magicamente custar um dólar e meio após ter passado por uma máquina.
O departamento de exportação da DEC não sabia... Eles sempre haviam posto um dólar e meio no formulário.
Então, na próxima vez que eu fui para a Holanda com 300 slides, o preço marcado era de 0,15 centavos por slide... Vezes 300 slides... 45 dólares todos eles...
E passei pela alfândega sem nada a declarar. :-)
Liguei para o departamento de exportação quando voltei e relatei os resultados. Eles ficaram surpresos.
Dois anos depois, liguei para o departamento de novo e perguntei que preço colocar. Eles disseram "1,50 por slide".
Levei meus 500 slides eletronicamente no meu notebook.
Portanto, se você estiver enviando itens para presente para um país onde as taxas podem ser cobradas dos destinatários, pode valer a pena colocar um valor razoavelmente menor na etiqueta de envio, apenas para lhes poupar dores de cabeça.
Carpe Diem!
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