Entrevista


Negócios para seres humanos - entrevista com Jon Melamut, da Canonical

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Publicado em 30/08/2011 às 13:46

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Jon Melamut


Por Kemel Zaidan


Em sua primeira participação durante o FISL 12, o vice-presidente de operações e produtos da Canonical nos concedeu uma entrevista exclusiva onde falou dos planos da companhia para o Brasil.


Linux Magazine » Gostaríamos que você falasse um pouco sobre você, como chegou até a Canonical e seu passado na indústria.


Jon Melamut » Claro! Estou na indústria de computadores já há muito tempo, mais de 25 anos, e há aproximadamente 10 anos comecei a trabalhar em software para usuários finais, voltado para consumidores, o que foi muito interessante, porque trabalhei com tecnologia da informação por muito tempo e a mudança para o mercado de consumo valeu a pena. Então, desenvolvi uma tecnologia de ebook, depois passei a trabalhar com tablets para usuários finais. Como eles usavam Linux, pela facilidade de uso, e eu queria que os aparelhos não dessem nenhuma dor de cabeça, que não tivessem vírus (e outros problemas do tipo), então passei a usar Linux. Então descobri a Canonical e o Ubuntu, e me juntei à Canonical há mais ou menos três anos.


LM » Você começou na indústria na área de engenharia?


JM » Bom, eu comecei com engenharia, mas depois passei para áreas como Gerência de Produtos e Marketing.


LM » Gostaria de saber qual é o seu papel, sua posição dentro da Canonical.


JM » Atualmente minha função é lidar com as operações da empresa, na parte de venda de serviços, e também na gerência e marketing de produtos ao redor do mundo. Então, tenho a oportunidade de conhecer nossos clientes ao redor do mundo; vou para a Ásia entre quatro ou cinco vezes ao ano; vim para cá agora, e passei algum tempo na Índia ainda no começo deste ano. Meu trabalho é viajar e agregar informações e comentários sobre o mercado, e também organizar todo o pessoal de suporte técnico.


LM » Então você lida tanto com a parte técnica dos produtos, como também dos negócios com eles?


JM » Exato.


LM » Quais seriam os principais produtos da Canonical hoje? Você diria que o Ubuntu é um produto?


JM » Eu não diria que o Ubuntu é um produto, ele é uma distribuição livre do Linux; os produtos da Canonical são os serviços em torno do Ubuntu. Existem então três negócios primários da empresa. O primeiro deles é trabalhar com OEM, em que trabalhamos com a pré-instalação do Ubuntu, e isso envolve grandes OEMs como a HP e a Lenovo, ou os fabricantes locais como a Positivo ou a Meoo. O ponto é que, se você trabalha com os grandes fabricantes globais, terá também que trabalhar com os pequenos e regionais. Esse é um dos negócios, e onde reside minha principal responsabilidade.


Outro negócio que temos é auxiliar, governos e empresas que trabalham com setores públicos, como escolas e organizações, que precisam de suporte. O produto neste caso se chama Ubuntu Advantage. E o serviço inclui suporte por telefone, acesso à base de conhecimento, o software de gerenciamento Landscape. E, finalmente, temos o Ubuntu One. Este produto é para o consumidor, para seus arquivos pessoais. E são nesses três negócios que a Canonical opera.


LM » E como segue essa operação no Brasil?


JM » Penso que as operações correm bem, apesar de estar levando um pouco mais de tempo do que o esperado para compreendermos como deslanchar a parte propriamente dos negócios. Em termos de tecnologia, vamos fabulosamente bem. Sabemos que existem ao menos um milhão de computadores no Brasil que estão funcionando com Ubuntu. O Maurício Pretto, da Canonical Brasil, também apontou que recentemente houve o surgimento da necessidade de suporte comercial. Novamente, estamos trabalhando com os grandes fabricantes, e também os pequenos; tivemos excelentes reuniões essa semana com algumas das maiores empresas de OEM para desktops e empresas de servidores. E recentemente descobrimos que temos um parceiro, chamado Solis, que recentemente se integrou à equipe há algumas semanas e temos mais pessoas para prover suporte local.


Não sei qual é o número de usuários do Ubuntu One no Brasil, mas acredito que seja bom. Pelo simples fato de ser um serviço Freemium, um serviço que possui uma modalidade livre; no caso do Ubuntu One, cinco gigabytes; e se você desejar mais serviços, paga por eles. E suponho que o serviço esteja bom, porque quem quer que instale o Ubuntu, há uma chance muito grande de que ele se registre no serviço gratuito, para sincronizar seus arquivos.


LM » Você traz boas notícias sobre a adoção e venda de produtos com Ubuntu de OEMs? Porque, por exemplo, a Dell demorou muito para vender computadores com Ubuntu no Brasil.


JM » Tomou mesmo muito tempo para começarem, mas começaram, graças ao excelente trabalho do Maurício [Pretto], e imagino que veremos essa tendência crescer. E no final, a Dell ficou bem feliz com o resultado das vendas. O que posso falar para você é que nem todas as companhias vendem por varejo, muitas delas realizam vendas diretas. Vou te dar um exemplo, que não é de varejo: todo thinkpad da Lenovo está pronto para Ubuntu, então as empresas que quiserem, podem ter seus notebooks com Ubuntu, diretamente da Lenovo. Algumas empresas vendem por varejo, algumas vendem por distribuição e algumas apenas através de venda direta. Assim, tudo depende de que forma o OEM quer trabalhar.


LM » Quais as expectativas de negócios para o Brasil?


JM » Minhas expectativas é que veremos crescimento na adesão do programa Ubuntu Advantage. Não requeremos que os usuários de Ubuntu comprem o acesso ao suporte técnico, mas quanto mais pessoas usam o sistema, mais elas precisam saber que há alguém lá, caso precisem. No meu tempo de carreira, aprendi que não importa o tamanho de uma empresa ou de uma agência do governo, seu CIO sempre quer ter algum tipo de apoio, alguma segurança. Por isso penso que o Ubuntu Advantage deve crescer bem rapidamente. Também penso que começaremos a ver a oferta de servidores Ubuntu. A Locaweb já os oferece, e esse negócio deve crescer bastante, tanto no mercado de hospedagem como também no de computação em nuvem. Nosso modelo de negócio permite que esses serviços cresçam rapidamente, já que não há barreiras, nenhuma taxa de serviço; então acredito que algumas companhias farão essa expansão por elas mesmas, e outras precisarão da nossa ajuda. E o que vemos, de maneira geral, é que as empresas querem nossa ajuda com máquinas de produção. Assim, os desenvolvedores podem não precisar de ajuda dos nossos engenheiros - eles não precisam de ajuda com as máquinas de teste - mas querem suporte para as máquinas de produção. E nosso modelo de negócio permite essa personalização de serviço, você só paga pelo que precisa de suporte. Então penso que veremos crescimento nesse mercado.


Também acredito que veremos mais fabricantes lançando máquinas com Ubuntu pré-instalado.


LM » E o Ubuntu One?


JM » Creio que veremos algum crescimento, mas o Ubuntu One ainda é um produto muito novo. O próprio Ubuntu já tem sete anos de existência, a edição para servidores tem quatro anos - o Ubuntu One tem aproximadamente 18 meses -, então está levando tempo para traduzir todo o serviço. Temos algumas áreas do site traduzidas, mas o “dashboard” ainda não, então precisaremos de um pouco mais de tempo. Contudo, estamos operando com sete diferentes lojas de música pelo mundo. Fazemos isso devido aos direitos digitais de cada música e onde podemos vendê-las, mas o serviço funciona aqui, pois tentei comprar uma música há alguns dias, enquanto já estava aqui. Então, apesar de não ser um serviço predominante, acredito que ele vai engrenar, quero dizer, conforme as pessoas forem usando mais e mais dispositivos, e assim que começarem a usar a sincronização, não deixarão de usar a solução. Quando passei a usar o Ubuntu One, tive certeza de que usaria o serviço pelo resto da minha vida, porque agora sincronizo informação entre meus diferentes PCs, meu laptop, sincronizo contatos em meu iPhone, também posso fazer stream da minha música. É realmente um bom serviço.


LM » Quando veremos conteúdo brasileiro na loja de música do Ubuntu One Store?


JM » Algum dia, certamente. Não sei quando. Esse trabalho está sendo realizado com um parceiro nosso aqui que poderia responder isso. Mas o que posso dizer é que isso depende de uma pesquisa de mercado. Precisamos de dados, como por exemplo, quantos usuários de Ubuntu existem, e quais são seus hábitos; mais precisamente, se eles compram ou baixam música da Internet. Por exemplo, na China temos muitos usuários de Ubuntu, mas não pensamos em começar um serviço lá, pois lá as pessoas não compram música, em sua maioria apenas baixam.


LM » Você poderia comentar um pouco sobre as opiniões dos usuários do Ubuntu sobre a nova versão, o Natty?


JM » Sobre o Unity? Bom, o Unity tem recebido boas críticas e comentários, em geral. Tivemos alguns que nos questionaram sobre como executar algumas tarefas no novo sistema, que estavam habituados a fazer nas edições anteriores; e quando os mostramos as mudanças, o retorno passou ser positivo. Também tivemos aqueles que confessaram sentir falta do sistema antigo. Foi realmente muito importante para nós, realizar essa grande mudança na interface de usuário. Quando consultamos as pessoas que trabalhavam com o sistema, elas comentaram que gostariam de algo que fosse insinuante, atraente. Tentamos fazer com que fosse muito mais, acho que você pode dizer, moderno, uma interface de usuário moderna, com botões grandes, quase como uma interface de um telefone, ou de outros dispositivos para consumo. Também tivemos a intenção de fazer com que o sistema ficasse muito mais fácil, porque o Ubuntu sempre foi um sistema muito poderoso, mas nem sempre fácil de se encontrar os recursos dentro dele. E quando vemos as pessoas mudarem para outro sistema operacional, vir algum recurso e afirmarem “nossa, isso é tão novo!” - só nos resta dizer “sim, já temos isso funcionando há três anos aqui”. Então, umas das coisas mais importantes que consideramos, realmente, era em trazer esses recursos para o usuário, deixá-los mais a mostra e torná-los mais fáceis de serem encontrados. Também deixamos as coisas mais limpas no Unity, como por exemplo, a barra “launcher”, que se esconde quando você usa um aplicativo em tela cheia.


Mas os comentários que recebemos, e que foram muitos, têm sido muito bons. Não sei se você conheceu uma colega nossa, que passou um mês executando testes de usabilidade aqui no Brasil, ela esteve em São Paulo e no Rio. Fizemos isso porque sabemos que as pessoas trabalham de maneira diferente em países diferentes. Ela trabalha para o time de design e recolhe comentários e os devolve à equipe.


LM » Será dificil manter duas versões distintas do Unity? Uma em 2D e outra em 3D?


JM » Não, realmente. Era mais difícil quando não tínhamos o Unity, tínhamos o ambiente GNOME padrão; e para a edição ARM e para Netbooks, usávamos algo chamado EFL (Enlightenment Foundation Libraries), que tinha um aspecto e manuseio muito diferente. Com o tempo, acumulamos uma grande habilidade com clutter, e com o Qt cada vez mais integrado no Ubuntu. Em toda a indústria, na verdade, existem cada vez mais pessoas querendo desenvolver para Qt do que para GTK. É o que temos visto no mercado. Não estamos muito felizes, mas é o que temos. Não é ruim, temos uma base comum, e sobram apenas os níveis mais altos da interface que precisam ser escritos.


E nossos clientes estão gostando, porque agora temos uma interface única operando por diferentes máquinas. Uma empresa, por exemplo, que estivesse usando o Ubuntu em alguns netbooks e desktops, se houvessem duas interfaces de usuário diferentes, tornaria o treinamento mais difícil; se você é um fabricante, não gostaria de ter que lidar com interfaces e instalações diferentes para cada equipamento. Uma interface comum torna essas tarefas mais fáceis. Também temos que ter em mente sistemas com baixos recursos, sem nenhum tipo de placa ou processador gráfico e que não podem criar os gráficos 3D do compiz. E usando o Qt replicamos os efeitos, ou pelo menos o suficiente para que as pessoas não percebam a diferença e ninguém fica se sentindo um usuário de segunda classe.


Eu mesmo conheço muitas pessoas que, mesmo utilizando computadores com muitos recursos, usam o Qt, porque acreditam ser muito mais rápido. Conversei com um usuário aqui que também me falou isso. Não sei dizer realmente qual é a diferença, mas as pessoas têm escolhido.


LM » Ouvimos algumas críticas à nova barra de rolagem.


JM » Lançamos o Ubuntu a cada seis meses, e a cada dois anos lançamos as edições com suporte à longo prazo (Long Term Support, ou LTS) - e há um plano para migração. Lançamos o 10.04, que é um LTS. Então lançamos o 10.10 com o Unity apenas para netbooks, e recebemos comentários e críticas sobre a interface. Com isso, colocamos o Unity no 11.04 tanto em netbooks como em desktops. Você verá uma continuidade e nossa meta é que o sistema seja sólido e apreciado pela maioria. É progressão. Estamos trabalhando nisso e recolhendo comentários e críticas também sobre essa versão com nossos clientes. Mas também temos que ter em mente que grande parte deles, principalmente os governos, utilizam a versão LTS. O que posso dizer é que, diante dos vários problemas de compatibilidade apresentados, estamos trabalhando para melhorar e evitar regressões.


LM » E quanto à integração com o GNOME 3? Ele virá no Ubuntu 11.10, correto? E os aplicativos para GNOME 3 estarão disponíveis para o Unity?


JM » Sim, ele será uma opção. E pelo que sei haverá essa interoperabilidade. Você terá a opção de instalar o GNOME Shell pela Central de Software.


LM » Vamos falar sobre o Ubuntu Core. Vocês veem o Meego como seu competidor no futuro?


JM » Eu diria que os produtos estão no mesmo espaço. Mas parte da razão do Ubuntu Core existir, é que, por muito tempo, as pessoas vêm usando o Ubuntu para construir dispositivos, e eles vinham à Canonical em busca de ajuda para integrar o Ubuntu em coisas como TVs, carros e outros aparelhos domésticos, e nunca tivemos uma maneira boa de oferecer suporte. A invenção do Ubuntu Core surgiu na minha divisão, onde criamos um programa que nos possibilite oferecer suporte para essas questões. Agora, quando somos procurados por alguém que quer usar o Ubuntu em alguns dispositivos, sabemos como fazê-lo. E esses fabricantes possuem um grande número de questões, que são diferentes das de um fabricante de PCs. Eles vêm até nós e falam: “Eu estou fazendo isso, e não funcionará com a interface do Ubuntu, mas me ajude a colocar nesse dispositivo os recursos do sistema.” Então, sim, estamos no mesmo espaço do Meego, mas não desenvolvemos o Core para competir com ele.


Antes, quando se falava em sistemas embarcados, nunca se pensava em atualizações ou comunicação com a internet. Agora, tudo quer se comunicar com a internet; e quando as pessoas vêm a nós e dizem, “queremos usar Ubuntu e preciso de ajuda”, nós ajudamos; mas se ele deseja fazer algo que não se comunique com a internet, mesmo que não seja visível para o usuário, então não trabalhos com isso. Um exemplo de pessoas procurando o Core são as empresas de carros que estão nos procurando para seus sistemas de infoentretenimento.


LM » O Core já é uma fonte de renda para a Canonical?


JM » É algo muito novo e está muito cedo para acertar isso, mas o modelo de negócio está lá para apoiar parceiros e pessoas que desejam construir. Será uma fonte de renda em breve.


LM » E o que você pode nos falar sobre o projeto de certificação de hardware?


JM » Está indo muito bem, e crescendo bem rápido. Ficou estancado por um tempo, mas retomou o crescimento de uma maneira bem acelerada. Não temos aqui nenhum computador para te mostrar, mas temos mais notebooks e desktops certificados do que qualquer outra empresa, e muito próximo de sermos os primeiros em certificação de servidores também. Contudo, esse não é um programa de grande faturamento, é na verdade uma iniciativa que as OEMS (fabricantes) pedem. Eles querem que as pessoas criem confiança no hardware, muitas vezes eles não usam o sistema nos computadores certificados, mas querem garantir que o Ubuntu funciona neles. Então, quando trabalhamos com empresas, através do programa Ubuntu Advantage, oferecemos suporte ao que for, mas também oferecemos uma lista de servidores ou desktops que certificamos e que operam com nosso sistema, e com isso treinamos melhor nossos engenheiros e os engenheiros das empresas. Mas oferecemos esse programa em princípio para facilitar o mercado.


LM » Cada computador que vem com Ubuntu pré-instalado também é certificado? E também há computadores que não possuem imagens pré-instaladas, mas que são certificadas para executar o Ubuntu?


JM » Sim, todos que vêm com uma imagem pré-instalada são certificados. E também certificamos hardware que não venha com imagens pré-instaladas, normalmente fazemos isso através de propostas. Podemos ter um cliente, um OEM ou parceiro, que chega até nós e diz: “Estou apostando nisso, você poderia certificar minha máquina?”, que pode ser um servidor, um desktop ou até um aparelho doméstico. Se você quiser ver mais sobre os hardwares certificados, podem entrar diretamente no site e pesquisar - todas as empresas com que trabalhamos e oferecemos suporte tem suas máquinas certificadas.


LM » Vocês precisam escrever algum driver para que as máquinas funcionem, ou simplesmente juntar as coisas e recomendar determinadas partes e componentes das máquinas?


JM » Não é do nosso feitio escrever drivers do zero. Algumas vezes já alteramos ou fizemos algumas pequenas melhorias em drivers, caso seja open source. Trabalho recentemente em um projeto com um OEM que tinha um leitor de cartões SD que não funcionava, e junto com a Lenovo fomos à empresa do leitor de cartão e a mesma mudou seu driver e integrou um driver ao Ubuntu. É mais algo como, somos os especialistas, diagnosticamos o problema e identificamos com quem devemos falar para ter o problema resolvido da melhor forma possível, e trabalhamos nisso juntos. O que é excelente para o Ubuntu, porque se fossemos apenas nós em busca desses drivers ou com essa exigência de compatibilidade, eles não nos atenderiam. Mas como vamos juntamente com seus clientes, os grandes OEMs, que compram centenas de milhares de peças por ano, quando pedimos os drivers, eles fazem isso com prestatividade. E isso não serve só para um dispositivo, ele fica disponível para todos. E em nossas certificações não publicamos apenas o nome da máquina, mas também todos os componentes que a integram. Assim, as pessoas que constroem PCs podem consultar essa lista e garantir o funcionamento de seus aparelhos.


Então as pessoas que querem construir algum dispositivo, nós fornecemos possibilidades para que eles entrem rapidamente no mercado. Quando você está no mercado de computadores, deve entrar nele o quanto antes, porque no mercado de consumo um aparelho tem um ciclo de vida de 15 meses; se pensamos em governos ou empresas grandes, temos um ciclo de vida de três anos.


LM » E o que será das certificações de uso? Desde que vocês saíram da Linux International não se ouviu falar de nenhum novo plano. O que vocês tem em mente para o futuro?


JM » Estamos readaptando e modificando isso, mas você verá isso retornar. É logico haver uma certificação assim, as pessoas tem o software livre e devem saber tirar o melhor proveito disso. Então, estamos trabalhando com isso, e você verá o resultado disso com o lançamento do 12.04.


LM » Existe uma espécie de regra dentro do mercado do software livre, que prega que desktops não são rentáveis, que os verdadeiros negócios estão focados nos servidores. A Canonical foi capaz de mudar isso?


JM » Não tenho como dar nenhum número, mas o desktop tem sido um excelente negócio para nós. O que posso dizer é que, por sete anos a empresa esteve trabalhando com desktops, e quando começamos a oferecer o servidor, o fizemos porque as pessoas nos perguntaram: “Como uma empresa de Linux pode não ter um produto para servidor?” Este ano, por exemplo, serão produzidos 10 milhões de máquinas com Ubuntu pré-instalado pelos nossos parceiros, em todo o mundo. É um bom negócio porque as pessoas precisam de ajuda, se você instala um sistema no seu computador por conta própria, você quer que ele seja muito bom e ofereça uma grande experiência; mas quando você compra algo que vem o sistema pré-instalado, a natureza humana nos faz esperar que a coisa funciona perfeitamente, cada função que você precisa deve funcionar. Cada função deve operar da maneira desejada e esperada. Isso exige muita engenharia da nossa parte. Em nossa equipe temos algo entre 60 a 100 engenheiros de sistemas trabalhando somente com OEMs.


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